As metrópoles não são apenas maiores que as cidades pequenas. As metrópoles não são apenas subúrbios mais povoados. Diferem das cidades pequenas e dos subúrbios em aspectos fundamentais e um deles é que as cidades grandes estão, por definição, cheias de desconhecidos. Qualquer pessoa sente que os desconhecidos são muito mais presentes nas cidades grandes que os conhecidos - mais presentes não apenas nos locais de concentração popular, mas diante de qualquer casa, mesmo morando próximas umas das outras, as pessoas são desconhecidas, e não poderiam deixar de ser, devido ao enorme número de pessoas numa área geográfica pequena.
Jane Jacobs. Morte e vida nas grandes cidades
quinta-feira, 19 de junho de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
Pepe Mujica
Conheço muito pouco sobre política. Não entendo o pensamento. Tenho muita reflexão sobre a sociedade e as relações humanas. Por isso, deveria conhecer política. Levo para o lado da política individual, muitas vezes chamada também de cidadânia, que gera o bem estar coletivo. Afinal vivemos em sociedade. O que falta é valorização à vida.
Nesta entrevista o atual presidente do Uruguai (2014), José Alberto Mujica Cordano, fala sobre isso.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Sobre o espaço cinestésico
Existe espaço sem nenhum objeto? Compreendeis esta pergunta?
Vós tendes de descobrir isto. É um desafio. Não se trata de reagir ou não
reagir, porém sim de descobrir. Porque nossa mente é tão trivial e limitada,
funciona sempre nos limites de suas atividades egocêntricas. Todas essas
atividades estão dentro desse centro e ao redor dele, no espaço que o centro
cria dentro e ao redor de si mesmo, como o faz este microfone.
Assim, quando há o espaço criado por um objeto, um
pensamento ou uma imagem, este espaço jamais pode dar-nos liberdade, porque
nele existe sempre o tempo.
O tempo, pois, só cessa, quando há o espaço sem objeto, sem
centro, sem o observador e portanto, sem o objeto. Só então a mente pode
conhecer a beleza. A beleza não é um estimulante; ela não é produzida ou
formada pela arquitetura, pela pintura, pelo olhar um pôr- do-sol ou um belo
rosto. A beleza é coisa inteiramente diversa; só pode ser compreendida quando
já não existe o experimentador e, por conseguinte, deixou de existir a experiência.
Ela é como o amor; no momento em que dizeis, verbalmente, ou sentis, que amais,
deixais de amar. Porque o amor é então um mero fenômeno mental, um mero
sentimento, uma emoção, na qual está presente o ciúme, o ódio, a inveja, a
avidez.
Tendes, pois, de compreender a natureza do tempo, não teórica
ou intelectualmente, porém de fato interiormente. Porque, quando se compreende
a natureza e estrutura do tempo, a ação é imediata; por conseguinte, o
sofrimento cessa – agora e não amanhã. E, para compreender o tempo, tem-se de compreender
também o espaço e a Beleza. Há muita pouca beleza neste mundo (o que há é muita
decoração), e sem a beleza não há amor.
Paginas 62-63 do livro Viagem por um mar desconhecido – Jiddu
Krishnamurti, 1966
"A capacidade de sentir a contração e o relaxamento, de saber o que o músculo está fazendo, é chamada de percepção cinestésica. A percepção cinestésica é desenvolvida colocando o corpo conscientemente em uma certa posição e sentindo-a. Essa sensação de equilíbrio ou desequilíbrio, graça ou deselegância, serve como um guia constante para o corpo conforme ele se move.
A percepção cinestésica deve ser desenvolvida a tal ponto que o corpo fique desconfortável se não fizer cada movimento com um mínimo de esforço para produzir o maior resultado (aplique isso também à postura)." - Bruce Lee
LEE, Bruce. O Tao do Jeet Kune Do, 3a. edição. Conrad Livros.
cinestesia
ci.nes.te.si.a
sf (cine1+estésio+ia1) Fisiol. Sentido que permite ao ser a percepção dos movimentos musculares, peso e posição dos membros etc. Var: cinesiestesia.
sinestesia
si.nes.te.si.a
sf (sin+estesia) Med 1. Sensação secundária que acompanha uma percepção. 2. Sensação em um lugar, devida a um estímulo em outro. 3. Condição em que a impressão de um sentido é percebida como sensação de outro. Cf comcinestesia.
Fonte: http://michaelis.uol.com.br/
O arquiteto tem de pensar sobre o não espaço também. Ignorá-lo pode gerar inconvenientes no uso do dia-dia. É por essas e por outras que as vezes a geladeira não passa pela porta da cozinha. Logo é um conceito o espaço cinestésico e daí surge o nome do meu trabalho. É o lugar que será ocupado pelo movimento.
Quando a ênfase torna-se o movimento, é possível perceber que há ritmo. O ritmo do movimento humano gera o ritmo de seu espaço, o ritmo da arquitetura. Aqui faço uma analogia ao Hip-Hop. Arquitetura também pode ser ritmo e poesia, o RAP (rhythm & poetry), a expressão sonora do Hip-Hop.
Um MC (mestre de cerimonia), quando declama sua rimas tem de fazer sobre influencia da batida. A batida por assim dizer é seu espaço. Vai ditar o seu ritmo, mais conhecido no meio do Hip-Hop como flow. É uma verdadeira troca, o que podemos chamar também de interação. Som e mensagem. É o mesmo que a arquitetura faz, expressa a relação do espaço com o ser humano. Conceitos que direcionam a ação dos seres humanos através da Arte. Mas para fazer arte é necessário dominar a técnica, Em arquitetura uma construção se torna poesia, através da criatividade do uso da técnica.
O arquiteto tem de pensar sobre o não espaço também. Ignorá-lo pode gerar inconvenientes no uso do dia-dia. É por essas e por outras que as vezes a geladeira não passa pela porta da cozinha. Logo é um conceito o espaço cinestésico e daí surge o nome do meu trabalho. É o lugar que será ocupado pelo movimento.
Quando a ênfase torna-se o movimento, é possível perceber que há ritmo. O ritmo do movimento humano gera o ritmo de seu espaço, o ritmo da arquitetura. Aqui faço uma analogia ao Hip-Hop. Arquitetura também pode ser ritmo e poesia, o RAP (rhythm & poetry), a expressão sonora do Hip-Hop.
Um MC (mestre de cerimonia), quando declama sua rimas tem de fazer sobre influencia da batida. A batida por assim dizer é seu espaço. Vai ditar o seu ritmo, mais conhecido no meio do Hip-Hop como flow. É uma verdadeira troca, o que podemos chamar também de interação. Som e mensagem. É o mesmo que a arquitetura faz, expressa a relação do espaço com o ser humano. Conceitos que direcionam a ação dos seres humanos através da Arte. Mas para fazer arte é necessário dominar a técnica, Em arquitetura uma construção se torna poesia, através da criatividade do uso da técnica.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Espaço Cinestésico
Hoje é um dia muito especial. Além de ser o aniversário da minha mãe, é também nesta data que este Blog completa três anos de vida. Para comemorar, também anuncio o nascimento do Espaço Cinestésico. Como este Blog, é um projeto experimental, onde pretendo a partir dele fazer trabalhos relacionados à Arquitetura e à Arte. Quem quiser me ajudar, seja bem-vindo!
terça-feira, 16 de julho de 2013
Anderson Silva's Punch Out!
Para quem jogou este jogo do Nintendo e na época, viciou, achará este vídeo legal!
domingo, 23 de junho de 2013
Retratos do mundo hoje: Assalto
Falência social. Sempre toco neste tópico. Vou descrever uma história que ouvi outro dia, ela me lembrou tudo o que ando refletindo sobre os relacionamentos sociais nos dias de hoje. Um amigo contou o que lhe sucedera. Carnaval. São Paulo. Ele curtiu o bloco de rua e depois estava indo pegar o metrô na estação Liberdade, quando aconteceu o fato.
Era por volta de meia-noite. Hora em que o metrô já está encerrando seus serviços. Os caixas já estavam fechados. Ele tinha o bilhete com dinheiro, mas por alguma falha no sistema, não funcionou na catraca. Apesar de ter ocorrido o problema, os funcionários da estação também não o deixaram passar (como na maioria dos casos, a responsabilidade das falhas recaem sobre os consumidores), então saiu da estação quando foi abordado por três indivíduos com uma faca e foi assaltado e esfaqueado. Segundo relata, os ladrões já haviam pegado seu dinheiro e pertences, mas mesmo assim queriam matá-lo. Como podem perceber ele sobreviveu.
Pensei em escrever porque esta história me incomodou, mais uma vez mostrou que está difícil viver nesta sociedade. Logicamente, me incomodou também pela proximidade - aconteceu com um amigo e também com o que aconteceu com ele, tão brutal - mas se tivesse lido no jornal me levaria a mesma reflexão; De que tudo poderia ser evitado, em primeiro plano, a falha tecnológica do sistema, a não compreensão do funcionário. Em segundo, policiamento eficaz nas ruas. Acredito que o funcionário deveria ter mais “jogo de cintura” nesses casos e considerar a liberação do usuário. Erramos ao acreditar que a tecnologia pode satisfazer integralmente às nossas necessidades, ela também falha como no caso descrito. As pessoas que utilizam os sistemas devem estar bem preparadas para manipulá-los (ai entra a questão de educação e formação de cidadãos) para poder reverter o problema. Maior atenção ao policiamento nas regiões e horários de eventos. Logicamente não somente em eventos, deveria ser todos os dias, mas principalmente em usos atípicos da região, quando a possibilidade de crimes cresce.
Era por volta de meia-noite. Hora em que o metrô já está encerrando seus serviços. Os caixas já estavam fechados. Ele tinha o bilhete com dinheiro, mas por alguma falha no sistema, não funcionou na catraca. Apesar de ter ocorrido o problema, os funcionários da estação também não o deixaram passar (como na maioria dos casos, a responsabilidade das falhas recaem sobre os consumidores), então saiu da estação quando foi abordado por três indivíduos com uma faca e foi assaltado e esfaqueado. Segundo relata, os ladrões já haviam pegado seu dinheiro e pertences, mas mesmo assim queriam matá-lo. Como podem perceber ele sobreviveu.
Pensei em escrever porque esta história me incomodou, mais uma vez mostrou que está difícil viver nesta sociedade. Logicamente, me incomodou também pela proximidade - aconteceu com um amigo e também com o que aconteceu com ele, tão brutal - mas se tivesse lido no jornal me levaria a mesma reflexão; De que tudo poderia ser evitado, em primeiro plano, a falha tecnológica do sistema, a não compreensão do funcionário. Em segundo, policiamento eficaz nas ruas. Acredito que o funcionário deveria ter mais “jogo de cintura” nesses casos e considerar a liberação do usuário. Erramos ao acreditar que a tecnologia pode satisfazer integralmente às nossas necessidades, ela também falha como no caso descrito. As pessoas que utilizam os sistemas devem estar bem preparadas para manipulá-los (ai entra a questão de educação e formação de cidadãos) para poder reverter o problema. Maior atenção ao policiamento nas regiões e horários de eventos. Logicamente não somente em eventos, deveria ser todos os dias, mas principalmente em usos atípicos da região, quando a possibilidade de crimes cresce.
Sobre transporte público
Vidas rolantes. Foto: Tiru
Considero ser o primeiro texto de minha autoria, com o objetivo máximo de publicar em Tiruzine e pensado unicamente para ele. Utilizá-lo como um diário. Algumas conversas que surgem com amigos e outras pessoas que me fazem refletir e considero parte fundamental do meu ser, o que me constrói, me ensina, é um estímulo à vida. Às vezes as conversas viram discussões e com este texto (e outros que podem surgir), a intenção é esclarecer - tenho mais facilidade em expressar opiniões em forma de texto – alguns pontos que tenho a sensação que não foram compreendidos. Este exercício me ajudará a fortalecer ou rever alguns conceitos e estudar mais sobre o que falo. Ter mais fundamento. Você leitor irá pensar: “os textos estão muito superficiais”. É que vão ser assuntos que surgirão do nada em minha cabeça e que serão libertados, expressos, inicialmente sem compromisso. Se futuramente ele surgir de novo na minha cabeça acrescento mais conteúdo. Gostaria até de ouvir outras opiniões, caso haja algum ser que de repente, entre aqui e utilize um tempo lendo. Porque desde o inicio fiquei com uma certa timidez e muita preguiça de divulgar este Blog. Ainda tenho os dois. Mas sei que a mensagem é composta de um emissor e um receptor para que exista. Logo este Blog não existe se não há interação pública. Isto é um convite para participar comigo.
Sempre senti isso, mas hoje é mais evidente. Não sei por quê. Não sei se é uma questão de excesso de gente, de formação, uma questão espacial ou a soma de tudo isso. A interação social está deturpada. Não reflito sobre as relações íntimas entre as pessoas, mas sobre a relação estabelecida no dia a dia, aquela em que você é obrigado a estabelecer, em espaço público que fazem parte de situações sociais. Um exemplo é o transporte público. Onde pode se constatar diversas situações que analisarei a seguir.
O uso da escada rolante é um assunto polêmico. Sou incapaz de entender porque as pessoas não entendem a faixa amarela em que está escrito para liberar a passagem do lado esquerdo. Ainda há o reforço da mulher no alto-falante, caso o argumento fosse analfabetismo. Como sempre há pessoas com pressa e outras que estão mais tranqüilas, o mais produtivo é obedecer ao padrão estabelecido. Ao mesmo tempo, vem a idéia contrária, certa vez presenciei uma cena intrigante. Havia duas senhoras uma ao lado da outra, ou seja, ocupando toda a largura da escada. Elas estavam um lance à minha frente. Atrás e logo em seguida delas, vinha uma garota em passos apressados. Como previsto houve um leve stress no encontro. A menina cutucou a senhora da esquerda e citou de maneira rude para que a deixasse passar e também deixasse a esquerda livre. A senhora fez a contragosto e depois resmungou à outra: “Não entendo, esta escada serve para ficarmos parados. Quer descer andando, porque não pegou aquela?” Disse apontando para a escada comum ao lado. Isso me fez refletir que a senhora não estava totalmente equivocada em seu discurso. O ideal seria este pensado pela senhora, porém não é pertinente na realidade. Pensando pelo lado arquitetônico, as escadas rolantes deveriam ser induzidas em projeto, para serem a segunda opção de circuito no fluxo de pessoas. O grande problema em projeto, é que elas sempre acabam ocupando muito espaço para ficarem fora da circulação mais usual. Considero que neste caso, pelo menos deveriam ser escadas maiores em largura ou mais módulos, sendo que o dimensionado fosse maior do que o considerado atualmente. Induzir o grande fluxo a se exercitar seria um efeito positivo para a saúde do cidadão. O grande fluxo jovem que está com pressa. Para os que não estão com tanta pressa podem subir tranquilamente parados as escadas rolantes ou ainda para aqueles com bagagens ou que necessitam de deslocamento especial, podem utilizar os elevadores (terceira opção no deslocamento). Como é utilizado atualmente surgem conflitos como o apresentado pela senhora. Além de não comportar de maneira devida o fluxo, gerando afunilamento no tráfego de pessoas. Apesar de achar o pensamento da senhora lógico, não considero de acordo com a realidade, portanto na minha concepção, a senhora deveria atender ao pedido de se manter a esquerda.
A situação relatada que gerou esta reflexão é apenas uma em uma infinidade de outras. Por exemplo, outra situação conflitante acontece quando pessoas estão lendo, ou mexendo em seus aparelhos móveis durante a circulação cheia. Não compreendo tamanho egoísmo. Essas pessoas podiam pelo menos se manter a direita. Por não prestarem atenção ao que acontece ao redor elas costumam atrapalhar o fluxo sem perceber que o fazem.
Outra situação incompreensível é gerada quando alguns cidadãos resolvem entrar no vagão e parar na porta, mesmo quando não vão descer na próxima estação. Ainda refletindo sobre a entrada e saída em vagões não entendo porque esse tipo de pessoa, quando está tanto cheio para sair como para entrar, resolve empurrar mesmo quando você espera as pessoas saírem. Porque até acredito que há pessoas que não estão nem ai mesmo, mas também vejo que a grande parte é uma questão de formação. Porque é difícil que o respeito mútuo prevaleça em relação à pressa ou a garantia individual de embarcar neste vagão? Não dá para entender. Estas me chamam muito a atenção, mas há muitas outras que divagarei em outro momento. Enquanto nossa consciência coletiva for precária, não adiantará reclamar.
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